"Mas não te procuro mais, nem corro atrás. Deixo-te livre para sentir minha falta, se é que faço falta… Tens meu número, na verdade, meu coração, então se sentir vontade de falar comigo ou me ver, me procura você.

Caio Fernando Abreu 

To na terceira semana, aguentei forte né? Os primeiros dias, sei la, os quatro primeiros, eu bebi, nossa, acho que nunca bebi tanto, fiquei com umas garotas nos barezinhos por ai também, umas eu levei pra cama, fáceis. Nos conhecemos assim lembra? Eu te conheci no bar, achando que você seria mais uma dessas que em menos de duas cantadas estaria com a bolsa na mão esperando eu chamar pra irmos ao meu apartamento, mas não, pra falar a verdade, você me xingou, você lembra? Foi maldosa, disse que eu era um idiota, imbecil, ai eu me apaixonei. No restante da semana eu bebi não porque tava solteiro, mas porque estar sóbrio era horrível, bêbado pelo menos eu desmaiava e não lembrava que tu foi embora. Segunda semana eu bebi mais, cara, cheguei a pensar que ia entrar em coma alcoólico e junto com esse pensamento, veio também o pensamento se tu ia esquecer minhas burradas e ia la cuidar de mim. Agora to aqui na terceira semana, onde a ressaca é prolongada demais então parei de beber um pouco e to fumando e bebendo café, coisa de velho. De fato, será que eu to velho demais pra conseguir outra mulher pra mim? Foda-se, quero você não outra mulher. To com frio. Pô, você tinha que me deixar justo em pleno junho, só chove nessa porra desse mês, e faz frio, nada mais. Oque faz eu lembrar que você me mimava demais, tu levava café pra mim enquanto eu lia um livro boboca. Porra, vou jogar esse livro fora, eu deveria conversar com você, não ficar lendo um livro que agora mal me lembro o enredo da história, acho que era do Paulo Coelho, ou Fernando Pessoa? Eu não vou te culpar, nos primeiros dias enquanto eu pegava uma vadia, entre beijos e outros eu reclamava de você, ridículo né? Certeza que você riria disso, que idiotas, eram tão fáceis que aguentavam eu reclamando sobre meu amor por você enquanto as beijava, faltavam me dizer -Sim estou aqui pra te ajudar esquecer seu amor, me chama de vadia- Mas enfim, eu ficava que nem um idiota dizendo “Ela é uma filha da puta, ela é uma criança, ela não serve pra mim” ai eu beijava elas mais um pouco e elas rápidas começavam a me despir e já ia falando “Minha namorada, digo, ex, ela nunca tirava minha roupa, ela é diferente sabe? Ela era toda meiga, esperando eu tirar a dela”. Nem pra transar com as minas você me deixa em paz. Agora to aqui me sentindo ridículo, infantil, mas eu sou né? Por isso que terminou comigo. Eu queria lhe culpar, queria mesmo, minha cabeça ia ficar até mais leve, mas eu sei que a culpa foi minha. Sei que eu fiz errado, sei que fiz você ir, de fato você não foi, tu continua na mesma casa, continua com o mesmo numero, continua com o mesmo carro e mesmo serviço, de fato a ultima vez que tava te observando você estava linda. Eu só to aqui também, continuando com meu orgulho, que ótimo. Você ai toda linda, com outros te querendo e provando valerem a pena e eu aqui, reclamando e batendo pé que nem criança birrenta, como se isso fosse fazer você voltar. E súplicas adiantam? Se adiantar… Volta, volta, volta, volta. To ignorando o meu orgulho agora, suplicando, implorando, volta, cuida de mim, volta pra me chamar de criança e brigar porque tu cuida demais de mim, volta pra tu deitar no meu braço e eu te fazer cafuné até tu dormir, volta, volta, volta porque eu te amo.

Odeio mendigar atenção.

"É só na saudade que descobrimos o real valor da pessoa amada. Doses de saudade, choque de realidade. Saiba sentir saudade, saiba amar e saiba ser amado.

— Caio Augusto Leite